O Pior Vizinho do Mundo, estréia quinta 26/01 .
23/01/2023 08:51 em Novidades

De: omelete.com.br / Nico Garófolo

Tirando algumas exceções, filmes protagonizados por Tom Hanks costumam vir atrelados a uma promessa: a de que o astro viverá um homem simpático e de fácil identificação do público cuja mera presença torna a vida daqueles à sua volta melhor. De Splash: Uma Sereia em Minha Vida a Finch, o nome do ator é praticamente sinônimo de segurança para o público, que vê nele a garantia de uma história tocante que arrancará sorrisos e lágrimas. Para o bem e para o mal, O Pior Vizinho do Mundo, adaptação do livro Um Homem Chamado Ove, de Frederik Backman, e do elogiado filme sueco de 2015, segue essa já conhecida fórmula, embora tente fazê-lo de um jeito diferente.

O Pior Vizinho do Mundo

Aqui, Hanks não vive um bondoso imigrante preso em um aeroporto ou um heróico piloto que evita uma catástrofe aérea com uma manobra arriscada, mas um viúvo mal-humorado, suicida e cheio de manias que incomodam os moradores do condomínio que ele coordena. Seu personagem, Otto, no entanto, descobre uma nova visão de vida quando o jovem casal Marisol (Mariana Treviño) e Tommy (Manuel Garcia-Rulfo) se muda para a casa da frente com suas duas filhas pequenas. O senhor rabugento cria um laço de amizade inesperado com a vizinha e sua família e passa a descobrir novas formas de lidar com seu luto.

O Pior Vizinho do Mundo, dirigido por Marc Forster (Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível), é básico em muitos sentidos. Por mais que Otto insista em se isolar, existe na escalação de Hanks a certeza de que, antes mesmo do terceiro ato, ele abrirá suas portas para seus vizinhos e antigos amigos e se tornará o homem carinhoso que o público tanto ama. E, por mais que esse destino seja previsível até para quem não teve o menor contato com a campanha de divulgação do longa, a forma como Otto vai de “velho insuportável” a “tiozão da galera” guarda caminhos emocionantes, todos pautados pela influência de sua esposa (Rachel Keller), onipresente mesmo após a morte.

Por mais que inicialmente pareça impossível entender por que tantas pessoas (e um gato) tentam manter uma amizade próxima com Otto, Forster cria relações críveis entre seus personagens, em um ritmo que, apesar de dinâmico, não apressa seus arcos. Focado mais em desenvolver seus personagens emocionalmente do que em apenas levá-los de um ponto A a um ponto B, o cineasta dispensa diálogos expositivos, substituindo-os por interações espirituosas que, com a ajuda de flashbacks bem alocados, formam uma narrativa engajante e fácil de se conectar.

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